Aborto e perfurações uterinas

Apesar de musculares, as paredes do útero são moles e sensíveis. Por esse motivo, o tubo de sucção utilizado no aborto por aspiração ou a faca (D&C) podem facilmente perfurar o útero, causando potenciais infecções abdominais (peritonites: infecção da membrana serosa formada por dois folhetos, que reveste as paredes profundas do abdómen ou envolve os órgãos abdominais ) e perdas de sangue graves. Em alguns casos, a perfuração durante o procedimento de aborto pode mesmo fazer com que os intestinos penetrem na cavidade uterina. Cerca de 2 a 3% das mulheres que se submetem a um aborto podem sofrer de perfurações uterinas. Estes danos mantêm-se geralmente por diagnosticar e tratar a menos que seja efectuado um exame com laparoscopia [ exame visual da cavidade abdominal (previamente distendida por injecção de ar ou de gases estéreis, por meio de um endoscópio introduzido através da parede abdominal, ou por via vaginal ]. (1)

O risco de perfuração do útero aumenta em mulheres que já tenham dado à luz anteriormente e para aquelas que recebem uma anestesia geral durante o procedimento do aborto. Os danos no útero podem resultar em complicações numa gravidez futura e eventualmente evoluir para problemas que tornem necessária um histerectomia (remoção do útero). (2)

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1. Kaali, S.G., Szigetvari, I.A. and Bartfai, G.S. (1989). The Frequency and Management of Uterine Perforations During 1st-Trimester Abortions. American Journal of Obstetrics and Gynecology 161(2):406-408.; White, M.K., Ory, H.W. and Goldenberg, L.A. (1977). Case-Control Study of Uterine Perforations Documented at Laparoscopy. American Journal of Obstetrics and Gynecology 129(6):623-628.

2. Grimes, D.A., Schulz, K.F. and Cates, W.J. (1984). Prevention of Uterine Perforation During Curettage Abortion. Jama-Journal of the American Medical Association 251(16):2108-2111.; Grimes, D.A., Schulz, K.F., Cates, W. and Tyler, C.W. (1979). Local Versus General-Anesthesia – Which Is Safer for Performing Suction Curettage Abortions. American Journal of Obstetrics and Gynecology 135(8):1030-1035.