Recomendações clínicas éticas para o tratamento do cancro e gravidez

À luz dos conceitos mais gerais abordados previamente, no último capítulo deste trabalho estudam-se alguns tipos de neoplasias entre as que mais frequentemente se associam à gravidez ou que têm implicações clínicas e éticas mais complexas para a abordagem diagnóstica e terapêutica da paciente grávida. Entre as dificuldades de manejo que são comuns a todos os tumores associados à gravidez, veremos que cada tipo de tumor apresenta desafios mais particulares: para alguns tumores a principal dificuldade é a localização (cancro do colo uterino e cancro do endométrio), outros a maior frequência (melanoma e cancro da mama), outros a urgência do tratamento (linfomas e leucemias agudas), etc.

Seria impraticável ambicionar estudar todos os tipos de neoplasias pelo que optámos pelos tumores que são habitualmente tratados na literatura médica sobre cancro e gravidez; por outro lado, consideramos que as linhas gerais das nossas propostas podem ser aplicadas a qualquer tipo de neoplasia diagnosticada durante a gravidez e na bibliografia disponibilizada podem encontrar-se pautas terapêuticas para esses tumores que são ainda mais raros e que de uma forma geral não suscitam a questão do aborto.

Analisaremos se o aborto tem uma base cientificamente fundada para continuar a ser recomendado como medida “terapêutica” da mulher grávida com cancro e estudaremos as opções clínicas concretas, documentadas na literatura científica, que possam orientar uma abordagem diagnóstica e terapêutica condizente com uma ética médica que seja sempre respeitadora da dignidade das duas vidas – mãe e filho – perante uma situação médica que efectivamente nalguns casos pode ser difícil. Ao final do estudo de cada tipo de cancro faremos sempre uma breve síntese conclusiva.

Aborto e ética. Todos os direitos reervados.

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