Princípios gerais do tratamento do cancro durante a gravidez

A associação de doença maligna e a gravidez apresenta o paradoxo de associar um crescimento controlado (gravidez) com um crescimento não controlado (cancro); por outro lado, a associação pouco frequente de cancro e gravidez faz com que poucos oncologistas consigam adquirir experiência nesta área.

O tratamento do cancro durante a gravidez constitui por isso um desafio. Embora a cirurgia se tenha demonstrado segura durante a gravidez[360], somente poucas drogas foram experimentadas durante a gravidez e por este motivo a maioria dos medicamentos são classificados como “contra-indicados durante a gravidez, excepto se forem estritamente necessários”[361]. Além disso, a radioterapia também se pode associar a toxicidade fetal.

Por conseguinte, a decisão acerca do tipo de abordagem terapêutica e do momento de iniciar o tratamento deve ser pesada pelo médico, mulher grávida e familiares atendendo à gravidade da doença materna e aos potenciais riscos fetais.

Estudar-se-ão em seguida os princípios terapêuticos do cancro na gravidez, nas suas três vertentes habituais, quer dizer, cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

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[360] Cfr. R. Cohen-Kerem, C. Railton, D. Oren, M. Lishner, G. Koren, Pregnancy outcome following non-obstetric surgical intervention, «Am J Surg» 190 (2005), p. 467; cfr. B. J. Moran, H. Yano, N. Al Zahir, M. Farquharson, Conflicting priorities in surgical intervention for cancer in pregnancy, «Lancet Oncol» 8 (2007), p. 543.

[361] Cfr. G. G. Briggs, R. K. Freeman, S. J. Yaffe, Drugs in Pregnancy and Lactation, Lippincott Williams & Wilkins, Philadelphia, PA 2008, p. 20.

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