O aborto terapêutico propriamente dito

Em definitivo, o termo aborto terapêutico deveria ser estritamente reservado – e nesta acepção será estudado – para aquelas condições em que, no contexto duma gravidez de risco médico, a terminação da gravidez é realizada para salvaguardar a vida da mãe ou para salvaguardar a saúde materna.

No entanto, se os limites do conceito de “aborto terapêutico” parecem claros do ponto de vista teórico, muito mais difícil é determiná-los na prática. De facto, se se raciocina em termos genéricos de aumento de risco para a saúde, que qualquer mulher pode sofrer pelo facto de estar grávida, e se fala de um genérico compromisso da saúde, entendida como «estado de completo bem-estar físico, psicológico e emocional», então será sempre mais difícil atribuir um valor quantitativo ao risco e proceder a uma avaliação clinicamente correcta e rigorosa do agravamento eventual da saúde materna. Se se pensa em termos de risco mortal para a vida da mãe, a medicina moderna realizou uma redução enorme da mortalidade materna e, como se verá mais adiante, a existirem, seriam relativamente poucas as indicações de aborto.

Feitas estas considerações, é possível abordar com mais profundidade os “aspectos técnicos” do problema. Estudar-se-á a questão da gravidez de risco médico, alguns dados estatísticos que permitam avaliar a importância do tema em estudo e, finalmente, enumeram-se as principais patologias nas que, do ponto de vista médico, se tem recomendado o aborto para salvar a vida da mãe.

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