Estudos de farmacocinética das drogas citotóxicas na gravidez

Quando se planeia tratar uma mulher grávida com quimioterapia é importante considerar as alterações fisiológicas normais que ocorrem durante a gravidez. O aumento do volume plasmáticos (cerca de 50%), o aumento da clearance renal e um terceiro espaço criado pelo líquido amniótico, afectam a concentração plasmática das drogas. Por outro lado, existem outras modificações da função gastrointestinal e hepática que podem afectar a absorção das drogas. Estas alterações da fisiologia da mulher grávida podem diminuir a concentração plasmática de droga activa comparativamente com pacientes não grávidas[376].

No entanto, como não se efectuaram estudos farmocinéticos na mulher grávida recebendo quimioterapia, são ainda desconhecidas as variações no metabolismo dos agentes citotóxicos e não se sabe até que ponto as mulheres grávidas deveriam ser tratadas com diferentes doses de quimioterapia[377].

Logicamente, seria importante dispor de mais estudos de farmacocinética para que as mulheres grávidas possam receber a quimioterapia em doses adaptadas ao seu novo estado fisiológico e que, sem perder eficácia anti-tumoral, limitem os riscos de toxicidade fetal.

…………………….

[376] Cfr. E. Cardonick, A. Iacobucci, Use of chemotherapy during human pregnancy, o.c., p. 288; B. Weisz, D. Meirow, E. Schiff, M. Lishner, Impact and treatment of cancer during pregnancy, «Expert Rev Anticancer Ther» 4 (2004), pp. 889-902.

[377] Cfr. T. Randall, National registry seeks scarce data on pregnancy outcomes during chemotherapy, «JAMA» 269 (1993), p. 323; E. R. Barnea, E. Jauniaux, P. E. Schwartz (eds.), Cancro e gravidanza, o.c., pp. 151-157; E. Cardonick, A. Iacobucci, Use of chemotherapy during human pregnancy, o.c., p. 288.

Aborto e ética. Todos os direitos reervados.

aborto