Diagnóstico por imagem durante a gravidez

O diagnóstico e estadiamento de uma neoplasia requer a realização de estudos de imagem, alguns dos quais empregam radiações ionizantes. Quando a paciente com cancro está também grávida, levantam-se problemas importantes visto que as radiações podem produzir efeitos tóxicos sobre o embrião ou o feto.

Os riscos derivados da exposição à radiação representam motivo de preocupação para a paciente, para a família e também para os médicos que estão envolvidos. Às vezes, são os médicos que colocam dúvidas sobre a segurança dos estudos radiológicos durante a gravidez, principalmente pelos eventuais efeitos teratogénicos; e não é raro que se desaconselhem todos os estudos que empreguem raios X, mesmo quando se considerem importantes para a avaliação de determinada patologia[341].

As técnicas de imagem com radiação ionizante são as mais frequentemente utilizadas para o “screnning”, a investigação diagnóstica e o estadiamento de uma neoplasia: tanto a radiografia simples, como a mamografia – convencional ou digital -, como a tomografia computorizada ou a angiografia digital estão baseadas nos raios X. Além disso, com frequência empregam-se meios de contraste para melhorar a capacidade diagnóstica das diferentes técnicas de imagem.

Outros meios de diagnóstico não utilizam radiações e o seu uso em mulheres grávidas é, por isso, mais seguro: a ecografia baseia-se em ultra-sons e a ressonância magnética utiliza campos magnéticos e ondas de radiofrequência[342].

Com todo este arsenal à disposição dos médicos, é necessário conhecer as indicações das diferentes técnicas radiológicas, a segurança do seu emprego em mulheres grávidas e as possíveis alternativas[343]. Infelizmente, em não poucas ocasiões são os próprios profissionais de saúde que recomendam o aborto após a realização estudos radiológicos (por exemplo, radiografias de abdómen ou tomografia computorizada), quando actualmente se sabe que não são estudos contra-indicados na mulher grávida[344].

De facto, em geral a gravidez não deveria constituir uma limitação para a adequada investigação diagnóstica duma doença neoplásica e por essa razão é fundamental conhecer bem as características dos diferentes meios diagnósticos, para poder avaliar com precisão os seus eventuais riscos: para não subestimar os riscos, mas também para não exagerar e assustar indevidamente a paciente e seus familiares.

 

Riscos de radiação

Emprego seguro das técnicas de imagem

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[341] Cfr. E. Fenig, M. Mishaeli, Y. Kalish, M. Lishner, Pregnancy and radiation, «Cancer Treat Rev» 27 (2001), p. 1.

[342] Cfr. A. H. Nicklas, M. E. Baker, Imaging strategies in the pregnant cancer patient, «Semin Oncol» 27 (2000), pp. 623-632.

[343] Cfr. K. Odunsi, P. Schwartz, G. Mari, Diagnosi radiologica del cancro in gravidanza, em E. R. Barnea, E. Jauniaux, P. E. Schwartz (eds.), Cancro e gravidanza, CIC edizioni internazionali, Roma 2003, pp. 115-128.

[344] Cfr. S. Ratnapalan, N. Bona, K. Chandra, G. Koren, Physicians perceptions of teratogenic risk associated with radiography and CT during early pregnancy, «AJR Am J Roentgenol» 182 (2004), p. 1107: estes autores estudaram a percepção do risco de malformações fetais major, entre os médicos de família (n=400) e obstetras (n=100), associadas à exposição a radiação por radiografias e tomografia computorizada durante o início da gravidez, demonstrando que é geralmente exagerada e que esse facto traz consequências negativas para a mãe e o filho. A conclusão foi a seguinte: «Our survey shows that physicians who care for pregnant women perceive the teratogenic risk associated with an abdominal radiograph and an abdominal CT scan to be unrealistically high during early pregnancy. This misperception could lead to increased anxiety among pregnant women seeking counseling and to unnecessary terminations of otherwise wanted pregnancies. This perception of high teratogenic risk associated with radiation could also lead to a delay in needed care of pregnant women» (o sublinhado é meu). Cfr. também: R. Cohen-Kerem, I. Nulman, M. Abramow-Newerly, D. Medina, R. Maze, R. L. Brent, G. Koren, Diagnostic radiation in pregnancy: perception versus true risks, «J Obstet Gynaecol Can» 28 (2006), p. 43.

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