Avaliação crítica dos principais estudos clínicos

Na literatura médica existem alguns artigos que reúnem séries ou descrição de casos clínicos em que se avaliou a toxicidade fetal (morte fetal, malformações, prematuridade, etc.) secundária à exposição in utero à quimioterapia por doença neoplásica da mulher grávida.

Embora sejam cada vez mais abundantes as publicações sobre o cancro e gravidez, uma análise dos artigos publicados põe em evidência que a bibliografia base que sustenta a opinião dos diferentes autores é fundamentalmente a mesma.

Neste sentido, pode afirmar-se que os principais estudos de revisão publicados nesta área são de Doll[509], Zemlickis[510], Ebert[511], Avilés[512] e Cardonick[513]. São também relevantes os artigos de Pavlidis[514] e Van Calsteren[515]. Estes trabalho são importantes porque constituem o património actual de conhecimento médico nesta importante área e porque acabam por condicionar a orientação das decisões clínicas com relação à administração de quimioterapia a uma mulher grávida.

De facto, estes estudos constituem todos os que são mencionados nos livros[516] e artigos de referência publicados sobre “cancro e gravidez”. Por outra parte, deve dizer-se que de uma forma geral os livros e artigos científicos têm simplesmente em consideração as conclusões destes estudos, sem ter em conta outras características importantes dos estudos que permitiriam uma interpretação mais adequada dos resultados, tantas vezes com importância decisiva, sobretudo para a vida do feto.

Por esse motivo, neste apartado apresentar-se-á um resumo dos principais resultados destes estudos, por ordem cronológica de publicação dos artigos e, de seguida, uma análise crítica:

«Management of cancer during pregnancy»: Doll, 1988[517]

«Fetal outcome after in utero exposure to cancer chemotherapy: the Toronto Study»: Zemlickis, 1996[520]

«Cytotoxic therapy and pregnancy»: Ebert, 1997[522]

«Hematological malignancies and pregnancy: a final report of 84 children who received chemotherapy in utero»: Avilés, 2001[526]

«Coexistence of Pregnancy and Malignancy»: Pavlidis, 2002[530]

«Use of chemotherapy during human pregnancy»: Cardonick, 2004[535]

«Cancer during pregnancy: an analysis of 215 patients emphasizing the obstetrical and the neonatal outcome»: Van Calsteren, 2010[539]

……………..

[509] D. C. Doll, Q. S. Ringenberg, J. W. Yarbro, Management of cancer during pregnancy, o.c.

[510] D. Zemlickis, M. Lishner, P. Degendorfer, T. Panzarella, S. B. Sutcliffe, G. Koren, Fetal outcome after in utero exposure to cancer chemotherapy: the Toronto Study, em G. Koren, M. Lishner, D. Farine (eds.), Cancer in Pregnancy. Maternal and Fetal risks, Cambridge University Press, Cambridge 1996.

[511] U. Ebert, H. Löffler, W. Kirch, Cytotoxic therapy and pregnancy, o.c.

[512] A. Avilés, N. Neri, Hematological malignancies and pregnancy: a final report of 84 children who received chemotherapy in utero, o.c.

[513] E. Cardonick, A. Iacobucci, Use of chemotherapy during human pregnancy, «Lancet Oncol» 5 (2004).

[514] N. A. Pavlidis, Coexistence of pregnancy and malignancy, o.c.

[515] K. Van Calsteren, L. Heyns, F. De Smet, L. Van Eycken, M. M. Gziri, W. Van Gemert, M. Halaska, I. Vergote, N. Ottevanger, F. Amant, Cancer during pregnancy: an analysis of 215 patients emphasizing the obstetrical and the neonatal outcomes, o.c.

[516] Cfr. G. Koren, M. Lishner, D. Farine, Cancer in pregnancy: maternal and fetal risks, Cambridge University Press, Cambridge 1996; E. R. Barnea, E. Jauniaux, P. E. Schwartz (eds.), Cancro e gravidanza, CIC edizioni internazionali, Roma 2003; G. López, Cáncer y embarazo, Eunsa, Pamplona 2007; A. Surbone, F. Peccatori, N. Pavlidis (eds.), Cancer and Pregnancy, Springer, Berlin Heidelberg 2008.

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