Acesso da mulher à informação

Muito pouca ou mesmo nenhuma informação é dada às mulheres, e aquela que se dá é por vezes errada ou incompleta. As complicações do aborto são ignoradas ou minimizadas (algo que começa logo nas discussões públicas sobre o assunto, especialmente as dominadas por um elenco político).

Em grande parte das clínicas de aborto, a táctica utilizada para “humanizar” esta prática reside na escolha de palavras. Em consultas de obstetrícia, durante o acompanhamento às mulheres grávidas, a palavra “bebé” ou “filho” é usada sem qualquer reserva. Nas clínicas de aborto, por sua vez, a alusão ao bebé ou feto é feita nos termos “ainda não é um bebe”, “ainda não está vivo”, “tecido de gravidez”, “amontoado de células”. E estas descrições são utilizadas por vezes em relação a estados do desenvolvimento fetal no qual o bebé já chupa o dedo, sente dor (um dos aspectos mais ignorados na prática do aborto), apresenta um batimento cardíaco em muitos casos audível com um simples estetoscópio. Para além disto, são utilizados termos como “restabelecer o período menstrual” em alusão ao procedimento do aborto. Até mesmo a palavra “aborto”, que simboliza para muitos a materialização do direito à liberdade, é evitada ao máximo.

Uma vez que este tipo de engano é levado a cabo dentro das próprias clínicas de aborto livre, vários grupos pró-vida têm sido sugerido que o acesso à informação correcta poderá comprometer o “negócio” do aborto.

O resultado trágico deste engano é a tomada de decisão com base em informação errada ou na ausência de qualquer informação. A decisão de abortar, neste enquadramento, é no fundo um engano. As mulheres são enganadas mas de um modo a que fiquem com a sensação de que têm os seus direitos garantidos. O direito à escolha não parece implicar, neste sentido, um direito a saber a verdade.

Muitas mulheres acabam por decidir recorrer ao aborto porque foram mal informadas ou simplesmente não tiveram acesso a qualquer informação. Sob alguns aspectos, a liberalização do aborto pode ser o exemplo acabado da exploração das mulheres.

A simples proibição não avança qualquer solução. Muitos estados americanos têm implementado nos últimos anos leis designadas de “direito das mulheres a saber”. Estas leis têm como principal objectivo dar a conhecer às mulheres os vários aspectos relacionados com a prática do aborto (o que é ao certo, consequências, métodos, etc.). Estas leis exigem também que aqueles que executam o aborto recomendem às pacientes um período de espera ou “arrefecimento”. Para além disso, algumas destas leis exigem mesmo que seja fornecida informação (livro, folhetos, etc.) às mulheres antes destas serem submetidas ao aborto.

Há quem aponte a facilitação do acesso à informação como um dos principais motivos de se ter registado no ano de 2000 o valor mais baixo no número de abortos nos EUA, desde 1974 (cerca de 21,3 abortos por cada 1000 mulheres com idade para engravidar em 2000, comparado com a taxa mais elevada de sempre de 29,3 abortos por 1000 mulheres em 1980 e 1981). (The Alan-Guttmacher Institute.)

Os novos avanços médicos (cirurgia intra-uterina e tecnologia de ecografias tridimensionais que revelam os contornos do feto) também têm sido apontados como um dos motivos para a diminuição das taxas de aborto induzido.